
Com o aumento da idade de aposentadoria, a redução da renda e o desejo de permanecer ativo social e profissionalmente, as pessoas estão trabalhando por mais tempo do que nunca. Por isso, o mercado de trabalho atual passou a reunir cinco gerações distintas:
Tradicionalistas (nascidos entre 1925 e 1945)
Baby Boomers (nascidos entre 1946 e 1964)
Geração X (nascidos entre 1965 e 1980)
Millennials (nascidos entre 1981 e 1996)
Geração Z (nascidos entre 1997 e 2012)
Ter profissionais de diferentes idades na mesma empresa cria oportunidades valiosas de troca de conhecimento, além de reunir perspectivas variadas e habilidades complementares. Ao mesmo tempo, isso também traz desafios para os líderes, que precisam atrair, reter, motivar e desenvolver pessoas com vivências e expectativas muito diferentes.
Entendendo as cinco gerações
Uma equipe multigeracional costuma apresentar diferenças marcantes de valores, estilo de comunicação e familiaridade com tecnologia, o que pode dificultar a compreensão entre os colaboradores. Como é natural que as pessoas criem estereótipos sobre determinados grupos, esse cenário pode acabar favorecendo o etarismo, caso a empresa não adote ações que estimulem empatia, respeito e entendimento mútuo.
Além disso, o contexto social, econômico, político e tecnológico dos Estados Unidos mudou de forma intensa e contínua ao longo dos últimos 60 ou 70 anos. Diante de tantas transformações, é esperado que existam diferenças relevantes nas expectativas e no comportamento das pessoas no ambiente de trabalho. Ainda assim, essa diversidade de experiências pode fortalecer a organização, tornando-a mais criativa, produtiva e preparada, graças ao repertório acumulado ao longo de décadas.
Combatendo o etarismo no ambiente de trabalho
Independentemente de seus profissionais ou candidatos terem 18 ou 80 anos, oferecer a melhor experiência possível para cada pessoa deve ser uma prioridade. No entanto, nem sempre é isso que acontece. No relatório mais recente Talent Trends, da Michael Page, que ouviu 50 mil trabalhadores em 178 mercados, 59% dos entrevistados afirmaram já ter sofrido discriminação por idade no trabalho.
O estudo mostra que o etarismo afeta pessoas de todas as idades, mas os profissionais com 50 anos ou mais são os mais impactados, com impressionantes 72% relatando esse tipo de situação. Em seguida aparecem os trabalhadores na faixa dos 40 anos, com 47%. Já entre os profissionais na faixa dos 20 e 30 anos, 39% também disseram ter sofrido discriminação etária. Entre as áreas em que esse problema mais apareceu estão Construção e Mercado Imobiliário e Contabilidade e Finanças.
O etarismo pode se manifestar de várias formas, como assédio, desigualdade salarial e aposentadoria forçada. Além disso, os conflitos entre gerações costumam ficar mais evidentes quando os profissionais sentem que não são valorizados nem respeitados pelos colegas, o que afeta diretamente o clima da equipe, a produtividade e a retenção de talentos. Diante disso, as empresas precisam agir de forma proativa para promover inclusão e fortalecer a convivência entre todas as gerações.
Boas práticas para promover inclusão
É fundamental buscar soluções que funcionem para todos. Cada organização tem sua própria realidade, mas algumas práticas podem ajudar bastante:
Ouça diretamente os colaboradores:
Com tantas diferenças de atitude, experiência, fase de vida, valores e expectativas, uma abordagem única para todos tende a gerar mais insatisfação e discriminação. Pesquisas internas bem estruturadas e uma escuta ativa ajudam a entender melhor as necessidades de cada grupo e permitem adaptar as ações da empresa de forma mais eficaz.
Adapte políticas e gestão às diferentes fases da vida:
Quando cinco gerações convivem no mesmo ambiente de trabalho, é natural que cada pessoa esteja vivendo momentos muito diferentes. Alguns estão saindo da casa dos pais, outros comprando o primeiro imóvel, criando filhos ou até se tornando avós. Reconhecer essas diferentes trajetórias é essencial para atrair, engajar e reter talentos. Políticas de trabalho flexível, diferentes estratégias de comunicação e oportunidades de desenvolvimento profissional são exemplos de medidas que podem atender melhor essa diversidade.
Estimule a colaboração entre gerações:
Criar oportunidades para que as pessoas se conheçam melhor, dentro e fora do ambiente de trabalho, contribui para aumentar o respeito e a compreensão entre elas. Incentivar a interação entre diferentes perfis e promover programas de mentoria, nos quais gerações distintas possam trocar conhecimentos e aprender juntas, tende a gerar relações mais positivas e equipes mais produtivas.
Quando as empresas conseguem aproveitar bem os benefícios de uma força de trabalho multigeracional, elas reduzem barreiras entre faixas etárias e se tornam ainda mais fortes. Mas isso só acontece de fato quando a liderança assume o compromisso de combater o etarismo e de construir um ambiente mais justo, equilibrado e acolhedor para todos.
Com os membros mais velhos da Geração Alpha a apenas dois anos de entrarem no mercado de trabalho trazendo novas experiências, expectativas e visões de mundo, torna-se ainda mais importante que as empresas estejam preparadas para promover inclusão e criar condições reais de sucesso para todos.